Antes de mais nada, uma pequena introdução: esqueça tudo o que você sente ou lembra quando ouve as palavras: “santidade”, “santificação”, “santo”. O Catolicismo Romano estragou o sentido desses vocábulos ao atrelá-los a idolatria e religiosidade. Santidade nada tem a ver com religiosidade, com aparência ou com ajoelhar-se diante de qualquer coisa que não seja Deus.

O quinto segredo para um novo coração, revelado no dia 29 de outubro de 2009, pelo Pastor Fábio, era a Santidade. A passagem bíblica que recebemos para colar no bloquinho dos 12 segredos foi Hebreus 12:14

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor”

Isso é muito forte!! Infelizmente muitos religiosos, ávidos por dificultar as coisas simples de Deus, para que elas pareçam mais nobres, fazem com que o processo de “santificação” seja algo quase que inalcançável. Confundem costumes com mandamentos e fazem uma salada indigesta, que resulta em crentes se esforçando em seguir regrinhas de homens, na vã esperança de herdar a salvação. Aliás, pior do que isso, não é na esperança da salvação, não, porque na maioria das vezes não se relaciona salvação com santidade. A idéia geral que se costuma ter é que só o Senhor é santo, logo (lógica distorcida do capeta) nós jamais conseguiremos ser santos, logo (padrão de lógica distorcida do capeta 2 – A missão) é melhor nem tentar. É aquela mesma desculpinha esfarrapada do “Só Jesus é perfeito! Ele conseguia perdoar todo mundo porque era Deus! Eu nem vou tentar, porque sou humano, o ser humano é falho, e por isso eu nunca vou conseguir”, enquanto Deus já deu a receita para nos mantermos perfeitos: andar em sua presença, seguir sua direção, em absolutamente todos os momentos (Gênesis 17:1 Tiago 1:4 Mateus 5:48)

“Santo” significa “separado”. Separado para Deus. Isso eu sempre soube, e era uma daquelas coisas que faziam sentido, mas não tinham significado prático para a minha vida. Parei para pensar a respeito. Separado de quê? Do pecado, obviamente, mas não quero essa resposta religiosa fácil. O caminho da santidade é separar-se de coisas ruins, de coisas das quais você sabe que Deus não se agrada: mentira, roubo, adultério, prostituição, e todo o “grosso” do pecado, mas – e vou morrer falando isso – o maior problema não é se separar do pecado óbvio, mas do pecado religioso. O pecado religioso é aquele que se gruda no cristão sem que ele perceba: os maus olhos (sempre olhar as pessoas e situações da pior maneira possível, com malícia, achando que fulana está sendo falsa, que beltrano está querendo dizer algo que ele não disse, tirar as “conclusões” baseando-se em preconceito e pré-julgamentos), guardar mágoa, nutrir raiva e ressentimento (aí entra aquele pessoal que ora para “Deus pesar a mão”, que torce pelo mal de outras pessoas, achando que isso é certo, que é justo), apontar o dedo para outras pessoas, dizendo que elas são pecadoras, enquanto eu…humm….eu sou “santa” e me orgulho da minha humildade. As pessoas distorcem o real sentido da santidade e acham que ser santo é ser religoso, é parecer santo aos olhos humanos.

Você tem de ser santo para Deus, não para os homens. Se alguém notar, jóia, se ninguém notar, tanto faz, porque você sabe que está fazendo o seu máximo para seguir a direção de Deus. A direção mais forte, aliás, diz respeito ao amor que devemos dedicar a todos os seres humanos. Seguir isso já te faz evitar a maioria dos hábitos dos hipócritas, listados no parágrafo anterior. Sem a santificação, diz o apóstolo Paulo, ninguém verá o Senhor. O Pastor Fábio nos lembrou que esse “ver o Senhor” não diz respeito apenas à vida eterna, ao post-mortem (eu acho graça de quem pensa que o cristianismo é todo para o além. Enquanto Jesus diz que Deus não é Deus de mortos, mas de vivos), mas nós temos de ver Deus hoje, em nossa vida. Quando a gente vê e ouve notícias ruins, está vendo o mal agindo na vida das pessoas, você não está vendo Deus. E ser santo não é difícil, nem tampouco impossível…se fosse impossível, Deus não exigiria isso de seus filhos. Ele diz: “Eu sou o Senhor, vosso Deus; portanto vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Levítico 11:44), ao que Pedro repete, em I Pedro 1:16 “Porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”. Mais embaixo, no versículo 22, Pedro explica como purificar nossa alma, para andarmos em santidade: “Tendo purificado a vossa alma, pela vossa obediência à verdade”, ou seja, se você quer purificar a sua alma, o caminho é obedecer à verdade, e a verdade é Jesus, a verdade é a Palavra. Somente através da obediência à Palavra de Deus é que poderemos ser purificados e santificados….por que quando você obedece, você nega a sua vontade…e negar a sua vontade, não se esqueça, é o maior sacrifício.

A respeito de “seguir a paz com todos”, no que depender de nós, devemos guardar nosso coração, não fazer guerra com ninguém, não embarcar em brigas, discussões, não ter um espírito belicoso. Confesso que esse foi um dos pontos mais difíceis de eu tratar nessa minha caminhada com Deus. Voltei para a igreja sabendo que esse seria meu maior desafio e logo já coloquei meu temperamento no altar e Deus começou a me mudar. No início é sacrifício, você engole sapo, passa um pouco de raiva, mas logo Deus honra e nos ensina a ter um espírito pacífico (ou pela nossa resistência a gente fecha a brecha para o diabo e ele tem de fugir. Pode ser isso, também), hoje em dia já é natural para mim não entrar em briga à toa, mas ainda tinha uma ou outra dificuldadezinha, que se foi ao ouvir a seguinte frase do Pastor Fábio: “Se elas criam situações para brigar, que briguem sozinhas, guerra a gente só faz contra o diabo”. Isso é a mais pura verdade!! Se é o mal que agita essas pessoas para me incomodar, eu vou brigar com as pessoas ou tratá-las bem e lutar espiritualmente contra esse mal??

Continuando a leitura do texto Bíblico (de Hebreus 12), o Pastor falou sobre não deixar nenhuma raiz de amargura. Como Deus vai projetar seu futuro se você se mantiver presa às picuinhas do passado? Outra frase que me marcou foi: “Se eu posso fazer minha ilia se sentir bem, por quê vou fazer ela se sentir mal?” A gente acha que não, mas no fundo, no fundo, isso é uma escolha. Você escolhe a reação que vai ter aos problemas e às situações. Não sei quem disse que deveríamos nos submeter aos nossos impulsos e deixar que eles nos guiem!! Eu posso parar, respirar fundo, pensar e decidir ficar quieta ao invés de falar uma bobagem qualquer que vai magoar as pessoas ao meu redor e ainda me fará sentir remorso posteriormente. Posso escolher se vou alimentar aquela mágoa, alimentar a irritação, a impaciência e tornar o dia um inferno ou se vou entregar aquilo para Deus e encarar meu dia de uma forma positiva.

O problema, meus amigos, é o de sempre: ninguém quer pagar o preço. É muito mais cômodo viver ao sabor dos sentimentos, das emoções. É muito mais fácil colocar a culpa dos meus problemas nos outros e tirar a responsabilidade das minhas costas. É complicado negar o meu eu, negar a minha vontade e encarar as coisas de maneira positiva ao invés de me lamentar, de ir à luta ao invés de ficar reclamando e me vitimizando. Negar o meu eu é sacrifício, é sacrifício obedecer a Deus. Vida cristã não é festinha, não, é coisa séria. E se você não quiser fazer a sua parte, me desculpe, não adianta tentar se separar para Deus apenas na aparência, seu coração continuará longe dele.

Outro texto bíblico apresentado na reunião foi Gálatas 5:16,17

“Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer”.

Sobre isso, fiz a seguinte anotação (quem me vê no culto, percebe que eu escrevo o tempo inteiro. São páginas e páginas, para garantir que eu nunca me esqueça do que ouvi): ” Se você anda no Espírito, não satisfaz as vontades da carne. O Espírito quer as coisas de Deus, a carne, as do mundo. Quando você anda no Espírito, você está desobstruído, começa a olhar como Deus olha e Ele começa a te instruir, você arranca a natureza humana e começa a entender. A pessoa não melhora a vida dela, não consegue ser uma pessoa melhor porque ela não anda no Espírito”.

Se eu quero ser um canal desobstruído, para que Deus possa me usar, eu tenho que colocar como prioridade em minha vida ser a pessoa que Ele quer que eu seja. E ponto final. Não interessa o que eu acho, ou o que eu penso, eu não sei coisa nenhuma! O que interessa é o que Deus acha, o que Ele pensa, o que Ele quer, como Ele vê. Andar no Espírito é negar a vontade da carne, é dizer não às minhas vontades: dizer não à vontade de ficar com raiva, dizer não à mágoa, dizer não aos maus olhos, dizer não à preguiça, dizer não à mentira, dizer não à dúvida, dizer não à maldade, dizer não à fofoca, a falar da vida alheia, a julgar as outras pessoas, dizendo quem está errado, como se eu também não estivesse, como se eu fosse Deus. Dizer sim a essas coisas nos separa de Deus. Temos de nos separar para Deus e não de Deus.

Minha última anotação foi: “Eu preciso estar unido a Deus para que Ele possa falar comigo, me dar a direção. Quem se separa para Deus não tem medo, nem dúvida, nem mágoa, é seguro e está seguro”

Olho para a minha vida, como ao final de cada reunião do discipulado, e procuro ver o que aprendi, o que já estava bom, o que precisa melhorar, e vejo que estou no caminho certo, graças a Deus. O estudo sobre a santidade veio como um baita reforço para o que eu já tenho buscado, principalmente para saber que se eu quiser ver Deus agindo em minha vida, tenho que, por todos os dias de minha existência, procurar fazer o que agrada a Ele e – principalmente – evitar fazer o que o desagrada. É uma equaçãozinha simples, como praticamente tudo na vida cristã, mas para conseguir alcançar, isso deve-se manter em mente que é uma tarefa diária, eterna, porque até a morte “a carne milita conta o Espírito, e o Espírito, contra a carne”. E também não podemos esquecer que o Espírito é, sim, mais forte do que a carne, mas para que isso seja verdade em nossa vida, nós temos de querer – e agir como quem realmente quer – que o Espírito vença a carne.

Originalmente publicado no site do discipulado


A reunião do discipulado acontece todas as quintas-feiras às 19 na Av. Júlio de Castilhos, 607, no centro de Porto Alegre – RS e é aberta a qualquer pessoa que deseje ter mais intimidade com Deus, conhecê-lo de verdade, independente de professar ou não uma religião.