Escrevo resenhas de livros no site da Cristiane Cardoso , indicando alguns livros legais e também falando sobre o que você não deveria ler, na série “Livros que não são o que parecem”. Lendo  “Oração: a chave do avivamento”, de Paul Yonggi Cho, encontrei um trecho que merece ser melhor explicado, pois muitas pessoas têm dúvidas a respeito desse texto bíblico e têm receio de usar a autoridade contra o diabo:

Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda. Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas cousas se corrompem. “(Jd 1: 8.10.).

Yonggi Cho diz:

Os versos citados revelam um fato muito significativo sobre nosso adversário, o diabo. Satanás é um príncipe com um poder considerável. E Judas diz também que ele não pode ser tratado levianamente, como alguns crentes costumam fazer. Embora seu poder sobre a propriedade divina tenha sido destruído, ele ainda é um oponente muito perigoso.

Ao contrário da interpretação distorcida de Yonggi Cho, Judas não está dizendo que temos que respeitar o diabo! Está falando de um grupo de pessoas dissimuladas dentro da igreja. Temos de aprender a ler o texto inteiro, para entendermos seu contexto. Isso é uma carta, não uma série de bilhetinhos picotados.

Quando Judas fala:

“Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas cousas se corrompem.”

Não está se referindo ao diabo ou às coisas do diabo, mas às coisas da igreja!

Se você olhar os versículos anteriores (o que não é difícil, Judas é um livro de capítulo único, com somente 25 versículos). Para quem ele estava falando? Para o povo da igreja. A respeito de quem ele estava falando? Dessas pessoas aqui:

Certos indivíduos se introduziram com dissimulação (…) homens ímpios, que transformam em libertinagem a graça de nosso Deus e negam o nosso único Soberano e Senhor (v.4)

Esse pessoal estava infiltrado, dentro da igreja. Judas explica que todos os rebeldes colhem os frutos de sua rebeldia, não importando quem sejam ou onde estejam.  Diz que esses malucos (vou chamá-los assim) falam mal dos outros, são carnais, difamam o que não entendem e o que entendem carnalmente e não respeitam governo.  São “pastores que a si mesmos se apascentam” e comparados a coisas inúteis como “árvores em plena estação dos frutos, destes desprovidas, duplamente mortas, desarraigadas”.  “Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros” (v.16)

Quando fala que eles “rejeitam governo e difamam autoridades superiores”, diz que o arcanjo Miguel, mesmo sendo melhor do que o diabo, não o repreendeu em seu próprio nome, mas deixou a repreensão a cargo de Deus.  Ou seja, Miguel estava lutando com o diabo ali, mas colocou Deus na frente. É o que devemos fazer ao invés de ficar murmurando contra as coisas da igreja.

Os crentes que usam essa passagem para dizer que devemos respeitar o diabo são os mesmos que “descem a lenha” nas autoridades e em tudo aquilo que vá contra os seus interesses e que fale do que eles não entendem. Não têm entendimento espiritual. A descrição que Judas faz em sua carta me traz à mente esse tipo que chama a si mesmo de “cristão”, mas só o que sabe fazer é difamar e espalhar o que Jesus tenta ajuntar.

Agora, sobre como devemos agir com o diabo, Judas comenta que Miguel  deixou que a repreensão viesse de Deus. “O Senhor te repreenda” é exatamente o que fazemos quando usamos o nome de Jesus. Porque nós, seres humanos falhos, não temos em nós mesmos autoridade alguma sobre o mal. A autoridade de que fazemos uso nos foi dada por Jesus, como uma procuração, ao usarmos Seu nome. Miguel usou o nome do Senhor, assim como nós também usamos e deixamos que a justiça de Deus prevaleça. Você tem o direito de usar o nome de Jesus contra o diabo. “Eis aí vos dei autoridade para pisardes serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada, absolutamente, vos causará dano” (Lucas 10:19)

Me recuso a dar ao diabo qualquer honra ou consideração! Nossa atitude diante dele não deve ser: “oh, ele é um oponente muito perigoso, não podemos tratá-lo levianamente, vamos expulsá-lo delicadamente e com cuidado, para que não se ofenda”. Pense bem, não é isso que vemos em Davi, diante de Golias, que representava ali o próprio satanás. “Quem é esse incircunciso filisteu, para afrontar o Exército do Deus vivo?” (I Samuel 17:26). Essa é a reação do nascido de Deus diante do diabo. Se você está com Deus, qualquer ataque contra você é feito contra o próprio Deus.

Quem é esse que ousa afrontar o Deus vivo?