“Não era o sacrifício físico, mas a verdadeira morte que Lhe afligia. Não foram a coroa de espinhos, as chicotadas, os pregos, a cruz e os socos dos soldados que causaram no Senhor Jesus uma dor indescritível, mas a morte sem Deus e sem o Espírito Santo.” (Extraído do livro “O verdadeiro significado da Cruz”, de Marcelo Crivella)

Por isso eu tenho verdadeiro horror daquele filme “A paixão de Cristo”, do Mel Gibson, que foi aclamado por muitos cristãos quando saiu nos cinemas (quer um filme bacana sobre a vida de Jesus? “O evangelho segundo João”, com Henry Ian Cusick, foi o mais fiel que já vi ao texto bíblico. Ao contrário da salada louca do filme de Mel Gibson), com cenas extremamente violentas, pedaços de carne voando para lá e para cá, cenas em câmera lenta, como se o diretor estivesse saboreando cada chicotada… Pessoas morreram no cinema, tamanho impacto emocional da violência das cenas.

Vi uma entrevista de Mel Gibson na época, dizendo que o filme era baseado nas visões que a freira Anna Catarina Emerich teve em mil oitocentos e pouco. A mulher era perturbada por essas visões detalhadas do sofrimento físico de Jesus, exatamente como as imagens do filme. O espírito que deu essas visões certamente gostaria de evidenciar a tortura física de Jesus, fazendo com que as pessoas se esquecessem do sacrifício espiritual, até porque assim colocariam tudo em um nível essencialmente emocional, aproximando as pessoas da religião (até por peninha de Jesus), mas afastando de Deus e da salvação real, prática.

De quebra, faziam com que as pessoas ficassem com ódio dos judeus (e ninguém tem mais ódio dos judeus do que o próprio diabo) ao culpá-los pela morte de Jesus (aí você vê que não entenderam nada. Ele veio justamente para morrer. Se alguém é culpado da morte de Jesus esse alguém é cada um de nós. E Ele mesmo.), o que levou muitos judeus a serem perseguidos e massacrados, fazendo com que tomassem verdadeiro horror do Cristianismo pois os que se diziam cristãos cometiam atrocidades usando o nome de Jesus. Ou seja, uma simples mudança de foco induzida pelo diabo foi capaz de fazer um estrago em várias frentes.

Maior tortura do que ferimentos físicos é o sofrimento espiritual de estar afastado de Deus. Sofrimento esse que faz com que a pessoa pense que a morte poderia aliviar sua dor e lhe trazer um pouco de paz (sinto muito, mas não pode. Morte é o que você experimenta agora, essa angústia, esse desespero. Desligar o seu corpo não lhe trará paz, apenas perpetuará essa morte, aumentando a angústia, o desespero, a dor e o sofrimento. A única saída para a morte que você está experimentando enquanto respira, é a vida que Deus lhe oferece aqui, agora, e da qual você só poderá tomar posse enquanto ainda respirar).

Esse sofrimento e essa dor, maiores do que qualquer sofrimento físico, Jesus experimentou naquele dia no calvário. A mesma angústia e agonia que estavam em mim, quando eu me sentia esmagada e dilacerada por dentro, achando que não havia uma saída para aquela depressão, aquele vazio, aquela tortura sem fim. Eu não sabia que Ele já tinha sofrido tudo aquilo por mim e me conquistado o direito de viver longe daquela morte. Ele morreu para que eu não precisasse continuar morta. Mas esse direito só foi conquistado porque Ele se manteve sem pecado e por isso pôde ressuscitar, vencendo a morte. Conquistou a vida da qual hoje podemos desfrutar, se aceitarmos esse pacto com Deus.

*Clique aqui para ver a resenha com meus comentários sobre o livro “O verdadeiro significado da cruz” para saber mais sobre esse direito.